Desmistificando a lenda de uma alma imortal

16 de maio de 2015

A Lenda da Imortalidade da Alma - LIVRO



É com uma enorme alegria e satisfação que eu anuncio que, depois de 3 anos de muito estudo e trabalho, meu livro sobre a imortalidade da alma e a vida após a morte finalmente está concluído, revisado e disponível para impresso. O livro foi dividido em duas partes, uma que trata sobre a constituição da natureza humana e acerca do estado intermediário entre a morte e a ressurreição (i.e, onde os mortos estão agora) e o outro onde eu abordo o estado pós-ressurreição daqueles que morreram sem Cristo, intitulado: “A Verdade sobre o Inferno”.

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15 de maio de 2015

Desmascarando Itard e sua ridícula interpretação de Lucas 23:43



Introdução

Quem me conhece sabe que eu não saio por aí refutando todo mundo que me ataca pela internet indiscriminadamente. Eu sou muito seletivo. Se quem me atacou é conhecido e usou argumentos, eu não perco tempo e faço logo uma elaborada refutação ponto por ponto. Se quem me atacou é conhecido mas não tem argumentos, eu não faço contra-argumentação nenhuma, pois não há nada para ser refutado e também não há a mínima chance de que o artigo em questão venha a mudar a opinião de alguém sobre algo. E se quem me atacou não tem argumentos e nem é conhecido, é aí que eu não ligo mesmo. Não dou a mínima.

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13 de setembro de 2014

O que é a alma? A alma é imortal? (Vídeo)


Neste vídeo-aula eu mostro o significado bíblico fundamental de “alma” e refuto a ideia imortalista de que a alma seja uma entidade imaterial e imortal que subsiste após a morte com consciência e personalidade no Céu.
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6 de setembro de 2014

Os Pais da Igreja e a imortalidade da alma (Vídeo)



Neste vídeo eu abordo a questão da imortalidade da alma à luz dos escritos dos Pais da Igreja, a fim de descobrir se os primeiros cristãos criam que a vida póstuma se dava antes da ressurreição ou se eles sustentavam que entrariam na vida eterna somente após a ressurreição do último dia.
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4 de setembro de 2014

Os judeus e a imortalidade da alma (Vídeo)



Neste segundo vídeo-aula sobre o tema da imortalidade da alma eu trato sobre a questão histórica do judaísmo e suas crenças a respeito da vida após a morte, no período pré-exílio e no pós-exílio, demonstrando com fontes históricas judaicas que os hebreus não criam na imortalidade da alma até serem deportados pela Babilônia na diáspora judaica e ficarem expostos à cultura grega no período helenista.
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Introdução à "Lenda da Imortalidade da Alma" (Vídeo)



Este é o primeiro vídeo-aula postado em meu novo canal no YouTube, onde faço uma rápida introdução sobre o tema, relativo ao primeiro capítulo do meu livro sobre o assunto. Nele trato brevemente sobre 1ª Coríntios 15 e sobre a primeira mentira implantada por Satanás na humanidade, através da serpente no Jardim (Gn.3:4).
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20 de janeiro de 2014

A Metáfora do Sono


A Bíblia Sagrada caracteriza a morte como um “sono”, daqueles que “estão dormindo”, em mais de setenta e duas situações diferentes, dentro do Antigo e do Novo Testamento. Uma listagem completa provavelmente nos faria superar os limites de escopo deste livro. Primeiramente, contudo, teremos que ver o porquê da morte na Bíblia Sagrada ser tão caracterizada como um “sono”. Qual era o objetivo dos escritores bíblicos e o porquê do uso de tal metáfora para o estado dos mortos ser tão utilizada pelos escritores.

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9 de janeiro de 2014

A Peshitta sobre Lucas 23:43



Peshitta. Uma tradução antiga da Bíblia no idioma síriaco baseada nos originais das Sagradas Escrituras. Remonta ao segundo e terceiro século da era cristã. É considerada até hoje pelos estudiosos como sendo a melhor versão já traduzida da Bíblia e é um dos manuscritos mais antigos existentes, profundamente importante na Crítica Textual. Encontrei neste link a tradução da Peshitta para o português, e, como era de se esperar, essa valiosíssima tradução verteu Lucas 23:43 da seguinte maneira:

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29 de dezembro de 2013

As visões teológicas sobre o inferno


Tem se falado tanto a respeito do inferno nos últimos dias que eu decidi tecer alguns comentários a respeito das principais visões teológicas quanto ao inferno, que vão além daquilo que eu escrevi em meu livro “A Verdade sobre o Inferno”. Há historicamente quatro visões predominantes sobre este tema, sendo elas:

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3 de novembro de 2013

O que significa levar cativo o cativeiro?


Paulo pregou a entrada no Céu por ocasião da ressurreição de Cristo? – Outro conceito que tem sido sistematicamente deturpado dentro da teologia imortalista é a tese não-bíblica mas amplamente divulgada entre os dualistas, que consiste no ensino de que, por ocasião da ressurreição de Cristo, os mortos justos que esperavam conscientemente no Sheol (que, como vimos, não é uma morada de espíritos desencarnados, mas puramente sepultura), partiram dali para o Paraíso, onde estão até hoje. Para isso, eles se apoiam em um único versículo bíblico, que é analisado de forma isolada e tão mal interpretado por alguns a tal ponto que foi necessário que os próprios imortalistas revissem essa tese e a refutassem em seus livros. O verso em questão trata-se de Efésios 4:8-9, onde Paulo diz:

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15 de outubro de 2013

A Lei Moral e a Doutrina do Inferno


A Lei Moral - Uma simples questão de raciocínio lógico já nos mostra a impossibilidade do tormento eterno. Por exemplo, você castigaria uma criação sua que pecou contra você durante algum tempo por um tormento sem um fim? Seja sincero, independente do que ele fez, você seria capaz de atormentá-lo no fogo em tempo sem fim? Não, eu diria que você (como um pai natural) o puniria de acordo com aquilo que ele merece, isto é, aquilo que ele fez por merecer pelas suas obras seria o tempo em que ele passaria sendo castigado, e não mais do que isso.

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Resumo simples sobre o inferno


A Bíblia Sagrada, em sua totalidade, afirma que cada um pagará de acordo com o que as suas obras fizeram por merecer:

Lucas 12:47,48“Aquele servo que conhece a vontade de seu senhor e não prepara o que ele deseja, receberá muitos açoites. Mas aquele que não a conhece e pratica coisas merecedoras de castigo, receberá poucos açoites. A quem muito foi dado, muito será exigido; e a quem muito foi confiado, muito mais será pedido”

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24 de setembro de 2013

Os dois destinos finais: vida ou morte


“Porque Deus amou ao mundo de tal maneira, que deu o seu filho único, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna” (cf. João 3:16)

Esse versículo que você acabou de ler é, provavelmente, a passagem mais conhecida de toda a Bíblia. Mas talvez seja uma das menos bem compreendidas. Transmite exatamente a realidade do amor de Deus até mesmo pelo maior dos pecadores, ao ponto e dar o Seu único filho pela redenção da humanidade. Além de ser um dos textos mais belos de toda a Bíblia, ele nos apresenta uma realidade que veremos a partir de agora: A Realidade dos dois Destinos.

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14 de setembro de 2013

Por que meio estaremos com o Senhor?


E assim estaremos com o Senhor – “Porque o Senhor mesmo descerá do céu com grande brado, à voz do arcanjo, ao som da trombeta de Deus, e os que morreram em Cristo ressuscitarão primeiro. Depois nós, os que ficarmos vivos seremos arrebatados juntamente com eles, nas nuvens, ao encontro do Senhor nos ares, e assim estaremos para sempre com o Senhor” (cf. 1ª Tessalonicenses 4:16,17).

Paulo deixa claro o modo pelo qual um crente pode "estar com o Senhor", expressando essa ideia ao longo de todo o contexto. Para os vivos, esse meio é o arrebatamento ou transladação dos crentes por ocasião da vinda de Cristo; para os mortos, esse meio é a ressurreição dos mortos. Paulo simplesmente não deixa qualquer outra alternativa aqui. Sobre este texto, Joe Crews fez essa importante observação:

"Observe o significado da palavra 'ASSIM'. Significa 'desta forma', 'deste modo', 'por esse meio'. 'ASSIM', desta maneira, por este meio, 'nós estaremos com a Senhor'. Ao detalhar, sem qualquer limitação, a forma e os meios pelos quais nós vamos estar com o Senhor, Paulo exclui todos os outros meios. Se existe outra maneira de conseguir estar com o Senhor, depois de vermos a clara linguagem de Paulo, é uma estupenda falsidade. Se nós vamos estar com o Senhor através do nosso espírito imortal quando morrermos, então não vamos estar com Ele por meio da vinda visível de Jesus, a ressurreição dos mortos, e a transformação para a vida. As palavras de Paulo, então não seriam verdade. Não existe uma forma possível de evitar tal conclusão, salvo afirmando que a descida do Senhor do céu, o poderoso brado, a trombeta, a ressurreição dos mortos e a transformação para a vida, todos ocorreriam quando a pessoa morre – uma posição demasiado absurda para ser considerada"[1]

Azenilto Brito complementa:

"Observem novamente que, em 1 Tessalonicenses 4:16, 17, Paulo espera estar presente com o Senhor. Ele descreve a vinda gloriosa de Cristo, a ressurreição dos mortos e a trasladação dos santos vivos. Então diz que 'assim estaremos sempre com o Senhor'. Essa palavra 'assim' significa, portanto, desta forma, ou por esse meio. Ele está dizendo: Isto é como vamos chegar a estar com o Senhor. Se, portanto, é através da vinda de Cristo e da ressurreição que chegaremos a estar com o Senhor, então é óbvio que não vamos estar com o Senhor antes desse tempo"[2]

Desta forma, podemos ver que Paulo exclui a ideia de estar com o Senhor através de uma alma imortal que sobrevive à parte do corpo após a morte, pois coloca como únicos meios para se estar com Cristo a ressurreição (para os mortos) e o arrebatamento (para os vivos). Nada de uma outra opção alternativa para aqueles que já morreram!

Na consolação aos tessalonicenses, falando sobre os seus parentes já falecidos, o apóstolo jamais indica que eles já estão na glória do Paraíso, muito pelo contrário, os consola unicamente com a esperançada da ressurreição dos mortos (cf. 1Ts.4:18), o que não faria sentido nenhum se fosse apenas para um corpo morto que já virou pó se as almas imortais já estivessem com Deus no Céu. A consolação de Paulo, voltada totalmente para a ressurreição, além de omitir que os seus amigos e parentes já estivessem na glória, afirma ainda de modo categórico que “de modo algum precederemos os que dormem” (cf. 1Ts.4:15), indicando que mortos e vivos entrarão no Paraíso no mesmo momento.

Paz a todos vocês que estão em Cristo.

Por Cristo e por Seu Reino,
Lucas Banzoli (apologiacrista.com)

Extraído de meu livro: "A Lenda da Imortalidade da Alma"


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Preterismo em Crise (Refutando o Preterismo Parcial e Completo)


[1] CREWS, Joe. O que a Bíblia diz sobre estar ausente do corpo. Disponível em: <http://setimodia.wordpress.com/2008/12/16/livreto-o-que-a-biblia-diz-sobre-estar-ausente-do-corpo/>. Acesso em: 19/08/2013.
[2] BRITO, Azenilto GuimarãesO que é estar ausente do corpo. Disponível em: <http://www.c-224.com/Ausente.html>. Acesso em: 19/08/2013.
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11 de setembro de 2013

Os que morreram estão vivos em outro mundo?


Contraste entre Cristo e os homens mortaisNo primeiro caso, os que recebem os dízimos são homens mortais; lá, porém, se trata de alguém do qual se declara que vive(cf. Hb.7:8). Aqui contrasta-se “homens mortais” com aquele vive [atualmente] – Cristo. Este versículo simplesmente não faz lógica para os imortalistas. Em primeiro lugar, porque os que recebem o dízimo “no primeiro caso” (pelo contexto, os levitas – cf. Hb.7:5,6) também deveriam estar vivos assim como Cristo, pois seriam imortais através de uma alma eterna que lhes teria sido supostamente implantada.

Em segundo lugar, o contraste que faz o autor de Hebreus é muito claro: Jesus é aquele “que se declara que vive”, ao contrário dos demais homens! Ora, se existisse a imortalidade da alma então aqueles homens também estariam vivos e, portanto, o contraste ali apresentado seria nulo e sem sentido. Novamente vemos a distinção entre Cristo e os outros que já morreram, assim como a antítese entre Cristo e Davi (cf. At.2:34), e entre Cristo e os demais (cf. At.19:25), vemos também aqui o fato de que os homens são mortais, mas Cristo vive!

O texto original do grego traz: “apothnesko anthropos” – homens mortais – e, em seguida, aplica os termos gregos: “ekei de” – lá, porém. Veja que o autor faz questão de ressaltar o caráter de um contraste. A última palavra deixa claro uma condição: “mas; porém; contudo”. Ele ressalta um nítido contraste, uma antítese, entre um grupo (levitas) e o outro (Cristo). Após ressaltar que estava elaborando um contraste entre um e outro grupo, ele declara que a respeito de Cristo: “marturoumenos oti zê" – testemunha que vive.

Em outras palavras, dado o devido contraste, Cristo continua vivo e os outros não; à Cristo se declara que vive, aos outros homens se declara que são mortais; é muito claro a partir deste versículo que Cristo está atualmente vivo, ao contrário dos demais homens. Aqui são homens que estão mortos; lá, porém, trata-se de alguém que está vivo. Embora na teologia imortalista todos os que morreram já estão vivos em algum lugar (até mesmo junto com o próprio Cristo), o autor de Hebreus faz o contraste e distinção entre ambos – lá estão mortos, aqui está vivo!

Isso provém do fato de que Jesus já ressuscitou antes (cf. 1Co.15:22,23) e, por isso, vive. Os outros, contudo, esperam a ressurreição (sem vida), o que explica o nítido contraste feito pelo escritor de Hebreus, entre o Cristo vivo e os demais mortos. Se tanto Cristo quanto os outros homens que morreram estivessem todos vivos, então a antítese perderia completamente o seu sentido. Só entende esta passagem quem realmente crê que não existe vida entre a morte e a ressurreição, sendo a morte o fim da existência. A passagem é uma prova incontestável de que Cristo está vivo e os outros do “primeiro caso” estão, realmente, mortos - sem vida.


Antítese entre os que morrem e o que permanece eternamenteE, na verdade, aqueles foram feitos sacerdotes em grande número, porque pela morte foram impedidos de permanecer. Mas este, visto que vive para sempre, Jesus tem um sacerdócio permanente. Portanto, pode também salvar perfeitamente os que por ele se chegam a Deus, pois vive para sempre para interceder por eles” (cf. Hb.7:23-25). Aqui vemos que o motivo pelo qual Cristo tem um sacerdócio perpétuo provém do fato de que ele permanece [vivo] para sempre!

Ora, se os homens subsistissem fora do corpo em estado desencarnado por meio de uma alma imortal, segue-se então que eles também permaneceriam para sempre. Novamente, vemos como é confusa a doutrina imortalista, porque de novo faz com que o contraste feito pelo escritor seja fútil, sem sentido, pois ambos permaneceriam para sempre. Se Cristo permanecesse vivo para sempre e os outros também, isso não seria antítese coisa nenhuma. Isso ignora completamente o contexto bíblico e o fato de ele aplicar a partícula grega “de” – mas; contudo; entretanto.

É muito claro que se trata de uma antítese, de um contraste entre o Cristo que está vivo e os demais que estão mortos. Se seguimos a lógica incontestável de que os que já morreram realmente estão sem vida (pois não existe forma de vida consciente entre a morte e a ressurreição), então tudo começa a fazer sentido. A morte os impede de permanecer (v.23); mas Cristo vive para sempre (v.25), porque tem um sacerdócio perpétuo proviniente do fato de que permence vivo eternamente (v.24)!

Novamente, vemos que toda a antítese aqui feita revela-nos que a doutrina da alma imortal não bate com o que é nos dito. Afinal, os dois grupos viveriam para sempre e os dois grupos permaneceriam eternamente vivos. Isso significa contrariar o pensamento do autor, que segue uma lógica incontestável: Cristo está vivo; os demais, mortos.

Paz a todos vocês que estão em Cristo.

Por Cristo e por Seu Reino,
Lucas Banzoli (apologiacrista.com)

Extraído de meu livro: "A Lenda da Imortalidade da Alma"


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9 de setembro de 2013

Quando os justos entrarão no Reino? - Parte 1


Paulo e Onesíforo O companheiro de Paulo, Onesíforo, morre, e Paulo fala a respeito dele em sua segunda epístola a Timóteo: “O Senhor conceda misericórdia à casa de Onesíforo, porque muitas vezes ele me reanimou e não se envergonhou por eu estar preso; ao contrário, quando chegou a Roma, procurou-me diligentemente até me encontrar. Conceda-lhe o Senhor que, naquele dia, encontre misericórdia da parte do Senhor! Você sabe muito bem quantos serviços ele me prestou em Éfeso” (cf. 2ª Tm.1:16-18).

Este desejo de Paulo reforça ainda mais aquilo que já vimos até aqui: os mortos permanecem sem vida até a ressurreição dos mortos, quando serão despertados, sendo julgados para entrarem no Céu ou no inferno. Sabendo que Onesíforo, já morto, se encontrava nesse estado, Paulo deseja que ele encontre misericórdia da parte do Senhor naquele dia , indicado como um acontecimento futuro, o dia do juízo na segunda vinda de Cristo.

Para os imortalistas isso não faz qualquer sentido já que Onesíforo já teria encontrado a misericórdia da parte de Deus, pois já teria supostamente entrado no Paraíso com todos os outros santos. A misericórdia a Onesíforo já seria encontrada, ele já estaria no Céu e já teria sido julgado (cf. Hb.9:27),  já estaria desfrutando das bênçãos paradisíacas. Contudo, Paulo nada diz de Onesíforo já ter partido para a glória celestial, e ainda consola a família baseando-se na esperança de alcançar a misericórdia da parte do Senhor “naquele dia”, obviamente porque ele não teria encontrado tal misericórdia ainda.

Isso não faz senso algum caso Onesíforo já estivesse no Paraíso, pois Paulo (assim como qualquer imortalista) teria escrito que Onesíforo já teria alcançado a misericórdia de Deus e que ele já estava na “glória”. Mas o fato é que Onesíforo ainda não alcançou a misericórdia de Deus, e somente a alcançará “naquele dia”, o dia do juízo. Paulo deseja que ele alcance a misericórdia de Deus no dia do juízo, uma vez que Onesíforo não havia sido julgado ainda para encontrar a misericórdia da parte de Deus e entrar no Céu. Tal declaração de Paulo é fatal à doutrina da imortalidade por dois motivos principais:

(1) A consolação de Paulo não é que Onesíforo já esteja confortado no Céu, mas sim de obter a misericórdia no dia de um juízo futuro.

(2) Se Onesíforo já estivesse no Céu então já teria alcançado a misericórdia de Deus e, portanto, Paulo teria que ter empregado o verbo no passado: “encontrou”, e não “encontre naquele dia”, a misericórdia da parte do Senhor.

A linguagem de Paulo difere absurdamente dos defensores da alma imortal, porque ele não diz que “ele encontrou misericórdia da parte de Deus”; mas sim que ele só encontrará a misericórdia de Deus em um acontecimento futuro que se dará “naquele dia”. Evidentemente, tal linguagem de Paulo expressa a sua convicção de que os que já morreram só ganham vida em um acontecimento futuro – “naquele dia” – e, portanto, torna-se lógico o desejo do apóstolo em ver Onesíforo encontrar a misericórdia de Deus em um futuro distante, e não em consolar alguém com a ilusão de que este já estaria “na glória”, já tendo passado pelo juízo e alcançado a misericórdia de Deus.


A salvação do espírito é no Dia do Senhor “Entreguem esse homem a Satanás, para que o seu corpo seja destruído, e o seu espírito seja salvo no dia do Senhor (cf. 1Co.5:5). Essa é uma refutação de peso para a doutrina de que o espírito é salvo logo no momento da morte. O apóstolo Paulo ressalta que o homem que seria excomungado da Igreja (“entregue a Satanás”) de alguma forma poderia se voltar a Cristo e buscar a salvação para ser salvo. A pergunta que fica é: quando é que o espírito deste homem seria salvo? Quando ele morresse? Não, mas “no dia do Senhor”, que é claramente relacionado com a segunda vinda de Cristo.

Inúmeros versículos nos mostram que o “dia do Senhor” trata-se da Sua segunda vinda: “O sol se converterá em trevas, e a lua, em sangue, antes que venha o grande e glorioso dia do Senhor (cf. At.2:20). Outras passagens que relacionam claramente o “dia do Senhor” que ainda está por vir com a segunda vinda de Cristo encontram-se nas epístolas de Paulo aos tessalonicenses: “Pois vós mesmos estais inteirados com precisão que o dia do Senhor vem como o ladrão de noite” (cf. 1Ts.5:2). E novamente ele afirma que o dia do Senhor é o momento da Sua segunda vinda: “A que não vos demovais da vossa mente, com facilidade, nem vos perturbeis, quer por espírito, quer por palavra, quer por epístola, como se procedesse de nós, supondo tenha chegado o dia do Senhor (cf. 2Ts.2:2).

O “dia do Senhor” não chegou ainda porque ele só acontece na segunda vinda de Cristo. Paulo, em todas as suas epístolas, compartilhava sua crença de que o dia do Senhor é relacionado à volta de Cristo. Pedro também compartilhava da mesma ideia ao escrever: “Virá, entretanto, como o ladrão, o dia do Senhor, no qual os céus passarão com estrepitoso estrondo, e os elementos se desfarão abrasados; também a terra e as obras que nela existem serão atingidas” (cf. 2Pe.3:10).

Vemos, portanto, que o “dia do Senhor” é uma clara referência à segunda vinda de nosso Senhor Jesus Cristo, a Sua Volta gloriosa, e não ao momento da morte do homem a quem Paulo se refere. É no momento da segunda vinda de Cristo que o espírito será salvo, e não no momento da morte! Vale ressaltar sempre que é exatamente nesta segunda vinda que ocorre a ressurreição (cf. 1Co.15:22,23).

Se Paulo cresse que uma alma imortal deixasse imediatamente o corpo com a morte, levando consigo consciência e personalidade, então diria que o espírito seria salvo no momento da morte. Contudo, é claro o sentido do texto – o espírito é salvo “no dia do Senhor”, e não no dia de sua morte, o que nos revela ainda mais claramente a crença de Paulo de que a vida era somente a partir da ressurreição.

Sendo que é nos dito de modo claro que “o corpo seja destruído” [iria morrer corporalmente], o que esperaríamos na sequência, se existisse a imortalidade da alma, seria que o espírito seria salvo logo neste mesmo momento da morte, partindo imediatamente para junto de Deus. Contudo, Paulo faz questão de ressaltar que o espírito será salvo é “no dia do Senhor”, e não no dia da morte ou no mesmo momento exato da destruição corporal, porque é somente no dia do Senhor que ocorre a ressurreição para a vida.


Os filhos não foram revelados na glória ainda  – A natureza criada aguarda, com grande expectativa, que os filhos de Deus sejam revelados” (cf. Rm.8:19). Se os filhos de Deus já estivessem na glória, então a natureza não estaria esperando nada, pois já estariam todos sendo sucessivamente revelados nas mortes de cada um! Veja que o verbo está no futuro: “sejam revelados”; e não: “estão sendo revelados” ou “foram revelados”! O que o apóstolo Paulo escreve vai frontalmente contra a doutrina de que “morremos e vamos para a glória celestial”, porque os filhos de Deus ainda nem sequer foram revelados.

A natureza está aguardando, isto é, ela está com “grande expectativa”, sabendo que os filhos de Deus não foram revelados, mas haverá um dia em que eles, finalmente, serão revelados. Essa é a expectativa que todo verdadeiro cristão deveria ter, centrado no glorioso dia da ressurreição dentre os mortos no qual os filhos de Deus serão finalmente revelados para a glória diante de Deus.

Alguém ainda poderia argumentar como é que podemos ter a completa certeza de que se trata realmente da ressurreição dos mortos. A resposta a isso está na própria continuação da passagem no seu contexto, que deixa tal interpretação ainda mais clara:

Romanos 8
19 A natureza criada aguarda, com grande expectativa, que os filhos de Deus sejam revelados.
20 Pois ela foi submetida à futilidade, não pela sua própria escolha, mas por causa da vontade daquele que a sujeitou, na esperança
21 de que a própria natureza criada será libertada da escravidão da decadência em que se encontra para a gloriosa liberdade dos filhos de Deus.
22 Sabemos que toda a natureza criada geme até agora, como em dores de parto.
23 E não só isso, mas nós mesmos, que temos os primeiros frutos do Espírito, gememos interiormente, esperando ansiosamente nossa adoção como filhos, a redenção do nosso corpo.
24 Pois nessa esperança fomos salvos. Mas, esperança que se vê não é esperança. Quem espera por aquilo que está vendo?
25 Mas se esperamos o que ainda não vemos, aguardamo-lo pacientemente.

Paulo afirma que ele esperava com ansiedade o momento em que seremos adotados como filhos, e indica este momento na sequência: a redenção do nosso corpo! Uma clara referência à ressurreição dos mortos, quando este corpo corruptível se transformará em incorruptível e a nossa natureza mortal se revestirá de imortalidade. O que Paulo afirma é muito importante, pois a partir disso vemos que a expectativa de Paulo não era que sua alma deixasse o seu corpo rumando a um estado intermediário, mas estava totalmente centrada na ressurreição dos mortos.

Tal era a esperança dele, na qual ele diz que esperava ansiosamente (v.23). Quanta diferença para os dias de hoje em que a doutrina da imortalidade da alma fez com que a ressurreição se tornasse um mero detalhe desnecessário! É óbvio que esta é a esperança de Paulo porque é neste momento em que ele se veria na glória. Tal conclusão fica ainda mais forte quando vemos que é neste momento em que seremos adotados como filhos (v.23). Não é logo após a morte em um estado desencarnado, mas sim na “redenção do nosso corpo”, na ressurreição dos mortos.

Paulo nem imaginava que poderia ficar milênios no Paraíso em um “estado intermediário” sem ter sido adotado como filho ainda para só depois disso Deus finalmente adotá-lo como filho e só depois disso ele ser revelado. O foco todo é na ressurreição dos mortos, porque é somente neste momento que vem a adoção como filho na glória (v.23). Paulo segue uma lógica incontestável: os filhos de Deus ainda não estão revelados (v.19), a espera ansiosa era pela redenção do corpo (ressurreição - v.23), e a nossa adoção como filho é também somente na ressurreição (v.23)!

E Paulo ainda conclui: “é nessa esperança que fomos salvos” (v.24)! Qual é o contexto? Qual é a ênfase? Qual é o sentido lógico lendo-se todo o conjunto? É óbvio que Paulo sabia que o momento em que estaria na glória seria na ressurreição, quando finalmente seremos adotados como filhos. E era nessa esperança - da ressurreição - que ele vivia, e não na ilusão de uma vida em estado incorpóreo, antes de chegar qualquer "redenção do nosso corpo" e antes da nossa "adoção como filhos".

Paz a todos vocês que estão em Cristo.

Por Cristo e por Seu Reino,
Lucas Banzoli (apologiacrista.com)

Extraído de meu livro: "A Lenda da Imortalidade da Alma"


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