Desmistificando a lenda de uma alma imortal

11 de agosto de 2013

Os heróis da fé estão no Céu?


Morreram, e mesmo assim não alcançaram a promessaTodos estes morreram na fé, sem terem recebido as promessas; mas vendo-as de longe, e crendo-as e abraçando-as, confessaram que eram estrangeiros e peregrinos na terra” (Hb.11:13). Aqui vemos que, mesmo morrendo, eles ainda não alcançaram a promessa! A versão católica da CNBB assim reza: “Todos estes morreram firmes na fé. Não chegaram a desfrutar a realização da promessa, mas puderam vê-la e saudá-la de longe e se declararam estrangeiros e peregrinos na terra que habitavam” (cf. Hb.11:13).

Temos sempre que lembrar que  a “promessa” que o autor de Hebreus se refere é exatamente a cidade celestial junto a Deus (cf. Hb.11:10; Hb.11:16; Hb.11:26). Mesmo depois de morrerem {estando na fé}, eles não alcançaram a promessa! Ora, se a morte introduzisse as suas almas direto na presença de Deus, então eles já teriam alcançado a promessa na morte, que seria a própria estadia celestial. O que vemos, contudo, é exatamente o inverso disso, eles morreram e não alcançaram a promessa, eles a viram (“saudaram”) pelos olhos da , vendo-a de longe, mas sem a alcançar!

É impossível que as promessas ali relatadas tratem-se apenas de seus objetivos terrenos, porque com relação a promessas terrenas eles já haviam alcançado as promessas (cf. Hb.11:13). É inequívoco, então, que realmente tratam-se das promessas espirituais, da “cidade que tem fundamentos” (cf. Hb.11:10), como é ressaltado por todo o contexto (cf. Hb.11:10; Hb.11:16; Hb.11:26).

Vemos, portanto, que a morte não foi o passaporte direto para a presença de Deus no Céu (como erroneamente pensam os defensores da alma imortal). O autor nunca diz em parte nenhuma de sua carta que “eles já receberam a promessa”; pelo contrário, diz exatamente o inverso disso: “morreram sem receber as promessas”; “não chegaram a desfrutar da realização das promessas"; “não obtiveram a realização da promessa”; “eles sem nós não são aperfeiçoados”, etc (cf. Hb.11:39; Hb.11:40; Hb.11:13).

Se os pais da fé já tivessem no Céu na época em que o escritor de Hebreus relatava tais fatos, então seria imprescindível que ele narrasse este fato tão importante na teologia da imortalidade da alma. Isso seria de fundamental importância pelo contexto, deixando claro que depois de todos os seus esforços e lutas aqui na terra eles finalmente alcançaram a promessa da cidade celestial. Contudo, tal colocação não é levantada em parte nenhuma, pelo simples fato de que eles, realmente, ainda não alcançaram a cidade que tem fundamentos, mas esperam a concretização da promessa.


Eles não estão na pátria celestial – Um outro ponto importante com relação aos heróis da fé é que é nos dito ainda mais enfaticamente que eles, de fato, ainda não estão na cidade celestial, como podemos ver ao longo de todo o contexto:

Hebreus 11
13 Foi na fé que todos {nossos pais} morreram. Embora sem atingir o que lhes tinha sido prometido, viram-no e o saudaram de longe, confessando que eram só estrangeiros e peregrinos sobre a terra.
14 Porque, os que isto dizem, claramente mostram que buscam uma pátria.
15 E se se referissem àquela donde saíram, ocasião teriam de tornar a ela...
16 Mas não. Eles aspiravam a uma pátria melhor, isto é, à celestial. Por isso, Deus não se dedigna de ser chamado o seu Deus; de fato, ele lhes preparou uma cidade.

Aqui vemos a confirmação de que os heróis da fé, de fato, não estão na pátria. Isso porque eles buscam uma pátria” (v.14). Ora, se eles buscam uma pátria, então eles não estão nesta pátria! Tal lógica simples desmente em absoluto que eles já estejam no Céu, porque o mesmo contexto nos mostra que tal “pátria” refere-se exatamente a cidade celestial (v.16). Se você busca por algo é porque você não possui tal coisa, mas ainda deseja alcançá-la.

É exatamente esta a situação dos heróis da fé: eles não alcançaram ainda tal pátria, não estão nela, mas anseiam e desejam tomar posse dela. Por isso, eles buscam uma pátria, e não estão em alguma pátria! O verso 13 traduz praticamente tudo o que nós estamos dizendo aqui: “Embora sem atingir o que lhes tinha sido prometido...”;  ou seja, eles não atingiram tal pátria, e a analogia nos mostra a tipificação com a pátria celestial (v.16), na qual eles não estão ainda.

Deus lhes “preparou” esta cidade (v.16). A cidade está preparada para eles entrarem; eles não entraram ainda, mas aguardam tal concretização da promessa para que “conosco eles sejam aperfeiçoados” (v.40). Tal união entre os heróis da fé e os outros salvos concretiza-se exatamente neste momento tão esperado, tão desejado, momento este que se dá na volta do Senhor deles e nosso, o Salvador, o Cristo, na superior ressurreição dentre os mortos.

O autor de Hebreus faz questão de relatar que eles não então na pátria celestial (doutro modo teria dito abertamente isso), mas sim que esta cidade lhes está “preparada” para o dia em que irão entrar. A cidade está preparada não apenas para nós, mas também para eles, para que juntamente atinjamos o que nos foi prometido, a promessa de uma pátria suprema, isto é, a celestial.


Focando-se na esperança da ressurreiçãoMulheres receberam, pela ressurreição, os seus mortos. Alguns foram torturados, não aceitando seu resgate, para obterem superior ressurreição (cf. Hb.11:35). A passagem é bem clara em dizer que o motivo pelo qual eles suportaram a tortura e a perseguição foi a esperança de obterem uma superior ressurreição, e não da alma partindo imediatamente para o Céu por ocasião da morte. Isso seria muito estranho caso existisse a imortalidade da alma. Esperar-se-ia o contrário, isto é, que eles morressem esperando que as suas almas já partissem para o Céu para receber sua herança.

Contudo, eles morreram foi “para obterem superior ressurreição”. Foi pela ressurreição dos mortos que eles aceitaram a tortura e a perseguição, pelo simples fato de que é na ressurreição em que finalmente entraremos no Reino prometido do Pai. Se existisse a imortalidade da alma, eles morreriam esperando que as suas almas imortais partissem imediatamente para o Céu, o que seria o mais importante, e a ressurreição se limitaria apenas a obter novamente um corpo para continuar no Céu do mesmo jeito. Obviamente, essa visão estava longe de se comparar àquela que os mártires tinham próximos da morte.

Por Cristo e por Seu Reino,
Lucas Banzoli (apologiacrista.com)

Extraído de meu livro: "A Lenda da Imortalidade da Alma"


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3 comentários:

  1. Perfeito irmão Lucas!

    É somente através da ressurreição (1ª?) que aqueles santos, testemunhas da antiga aliança herdarão de fato a cidade prometida, a nova Jerusalém!

    Continue firme, irmão, na apologia da fé, nunca se intimide e que ninguém despreze a tua mocidade!

    Abraços,

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  2. A luta ou combate espiritual, deve ser um constante trabalho na vida so cristão, a busca de a cada dia mudar os vícios em virtude. Buscar defeitos nos outros e em tudo e sinal de um coração cheio de malicia, maldade, pq não buscar artivos que fale das virtudes.. Fica a dica cristã

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